Relatos de uma Detetive - NY - Caso 1


Eu sou Alexia Adam, e tenho 22 anos. Acabo de me formar na Universidade, e conclui o teste de perito criminal. Há 2 dias que fui aprovada. Estou prestes a iniciar meu primeiro caso.
Alguns minutos atrás, recebi uma ligação do Sr. Albert, pedindo para que encontrasse minha equipe em um prédio no sul de Manhattan. Uma mulher havia sido assassinada.
Estava um pouco atrasada, portanto, saí em disparada com o carro.

Não moro muito longe do centro, porém demorei um pouco até chegar no apartamento da vítima. Minha respiração estava ofegante, meu coração batendo forte. O meu primeiro caso! Não sei qual será minha sensação, ao ver uma vítima de verdade, ao invés de bonecos de simulação.


Encontrei, na recepção, meu colega de trabalho, Tyler. Pela sua expressão, meu atraso foi significativo.
''Olá'' - disse eu, envergonhada
''Olá'' - respondeu - ''Nossa vítima está no 18° andar. Podemos ir agora?''
''Sim'' - disse

O elevador estava atrás de Tyler. Ele pressionou o botão e fez um sinal com a cabeça, como se estivesse me indicando a direção.


Entrei no elevador. Parecia demorar horas para subir um andar. Estava preocupada, sentia um desespero inexplicável. Quando escutei o leve som das portas se abrindo, meu coração tornou a bater aceleradamente.


Assim que abri as portas do apartamento, entrei em choque. Oh, meu Deus! Nunca em todos meus anos de estudo, nunca vi algo tão assustador quanto aquilo. Apesar de hesitar um pouco, entrei com determinação e passei a analisar atentamente a cena do crime. Tyler estava logo atrás de mim.


Me recusava a olhar para o corpo, debruçado no chão, com uma das mãos escondendo o ferimento. Seu rosto estava cheio de sangue.


''Bom, parece que nossa vítima levou um tiro na barriga. O sangue provavelmente jorrou pelo rosto todo. O chão parece ter sido limpo com alvejante. A mancha de sangue com certeza foi apagada daqui. Já determinamos a causa da morte, mas mesmo assim, vamos levá-la ao laboratório.''
'' Eu vou analisar os outros cômodos do apartamento. Pode ser que ache algo importante.''
''Tudo bem. Eu vou ficar aqui e tentar encontrar vestígios do crime aqui mesmo, na sala.''


Fui em direção de uma porta à minha esquerda. Era um quarto. Tudo parecia estar em ordem. Havia uma cesta de roupas em um canto do quarto. Mexi em todo o cesto, e no fundo, havia uma faca ensanguentada.

Achei um pouco estranho a existência de uma faca de cozinha com sangue no meio de um cesto. E sabemos que a arma do crime não foi uma faca. Devia avisar Tyler.


''Tyler, eu...''
''Dê uma olhada, Alexia. Essa evidencia pode nos levar facilmente ao assassino!''

''Bela vista, não acha?''
''Está pensando o mesmo que eu?''
''Sim... Nossa vítima foi baleada, e nosso assassino nem sequer entrou aqui.''

''Temos que descobrir de que prédio o assassino atirou, procurar o andar e conseguir informações.''
''Isso é um pouco difícil, e além disso, não temos nenhum suspeito ainda.''
''Vamos começar por seus amigos mais próximos. Consiga uma lista de visitantes frequentes desse apartamento, Tyler.''
''Você ia me dizer algo?''

''Sim. Eu encontrei uma faca em um cesto de roupas. Ela estava com sangue humano, e com certeza não era dela.''
''Já foi olhar no banheiro?''
''Ainda não. Espere um minuto...'' - disse, saindo da sala e indo em direção ao banheiro

Não esperava encontrar o que encontrei. Não estava preparada. Assim que entrei naquele banheiro, minha cabeça começou a dar voltas. O que vi foi traumatizante.
''Uma segunda vítima'' - sussurrei para mim mesma


''Tyler, venha aqui.'' - gritei, lentamente
''Algum problema?'' - perguntou ele, empurrando a porta com uma das mãos - ''Oh, meu Deus, temos uma segunda vítima'' - respondeu a si mesmo

''Não há nada no corpo além desse corte profundo no pescoço.'' - conclui
''Sabemos que aquela faca foi usada para matá-lo''

O silencio voltou a reinar no apartamento. Nada se ouvia além dos ruídos da cidade, os carros, as pessoas... Tyler enviou algumas fotos para nosso banco de dados. Alguns minutos depois, conseguimos uma identificação:

'' A garota morta na sala chama-se Bridget Moore, e tem 20 anos. É uma conhecida modelo aqui em Nova York. Já o homem na banheira, Joseph Clark, tem 32 anos, e é o empresário de Bridget.''

''Suspeita de algo?''
''Não. Não temos nada que me faça deduzir. Sabemos apenas que alguém atirou nela sem ao menos ter entrado aqui, e... Temos um homem esfaqueado.''
''Pelo menos um dos assassinos entrou!''
'' Se é que foram mais de um.'' - disse Tyler, enigmático.

Laboratório de Perícia Criminal, Nova York Sims:




''Esta é a recepção do laboratório. Logicamente, as áreas restritas são rigorosamente separadas daqui. Mas você já é parte do laboratório. Venha comigo, vou mostrar-lhe a sala de autópsias.''


Tyler andou um pouco pela recepção. No centro, havia uma porta e uma placa de restrição à funcionários.
Entramos por ela. Apesar de ter estudado cada detalhe dessa carreira, tudo aquilo parecia novo para mim. Estava cada vez mais ansiosa para conhecer tudo. Mais ansiosa ainda, para finalizar esse caso, como qualquer um detetive.


Tyler foi caminhando e me mostrando detalhes da imensa sala de autopsias. Havia várias cabines e portas, que dava acesso à corredores intermináveis! Me apresentou outro membro de nossa equipe, Sidney Jackson, médica legista. Era uma mulher dócil, divertida, meiga, porém vaidosa. Detestava usar uniformes, de acordo com que Tyler disse. Iriamos nos dar bem.

''Bem vinda a equipe, querida!'' - disse Sidney, se dirigindo a mim, de braços abertos para um abraço.
''Obrigada'' - respondi, aceitando o abraço.
''Trouxe algum trabalho para mim?'' - disse sorrindo
''Não um... Dois!'' - respondi tentando entrar no seu temperamento animado

''Vou iniciar as autópsias agora mesmo. Dentro de algumas horas, entro em contato com vocês.''
''Obrigada, Sidney. Até mais.''

Tyler permanecia imóvel, com a mesma expressão de sempre. Assim que me aproximei dele, ele se retesou, e me chamou para ir falar com os suspeitos. Nossos assistentes já haviam entrado em contato com dois frequentes visitantes do apartamento de Bridget. Não os considerava suspeitos, apenas uma fonte de informações.

Seguimos até uma sala para começar o interrogatório, com um garoto chamado Bryan. Visitava Bridget frequentemente. Como mostrava o estatísticas de visitas, Bryan parou de visitá-la por um período de três semanas.



''Bryan, você conhece Bridget Moore?'' - perguntei, mostrando uma foto entre os meus dedos
''Sim, ela é minha amiga.''
''Visitava ela várias vezes. Por que parou?''
''Bom, nessas últimas semanas, eu estive muito atarefado com os estudos. Ela aprontou alguma coisa?''
''Ela... Está morta.''
''Sério? Que pena... Ela era uma pessoa muito boa.''
''Conhece alguém que possa ter feito mal a ela?''

''Não. Bridget era adorável. A cidade inteira a conhece e adora ela. Por que fariam algo tão desprezível assim?''
''Bom, sabemos que alguém fez isso. Porém não há de quem suspeitar. Ela foi baleada dentro de seu próprio apartamento, e a direção da bala indica que o atirador esteve no prédio em frente a uma das janelas.''
''Não sei de ninguém que more lá.''

''Bridget tinha namorado? ''
''Não faço a mínima ideia. Ela não confiava em mim para falar sobre sua vida amorosa. Nunca confiou.''

''Seu empresário também foi morto. Deixado na banheira do apartamento de Bridget.''

''Oh, meu Deus!''
''Sabe de alguma coisa?''
''Não!''
''Por favor, contribua. Seu silêncio só irá gerar mais desconfiança.''
''Desconfiança...''
''Diga!'' - gritei, descontrolada
'' Já disse que não sei de nada! Se são detetives, por que não descobrem vocês mesmos. Eu mal o conheço.''

Respirei fundo, tentando retomar minha calma.

''Tudo bem. Pode ir. Caso tenha mais alguma coisa a dizer, nos ligue.''

Tyler ouviu nossa conversa do outro lado da sala. Assim que Bryan passou pela porta, me dirigi a Tyler, demonstrando preocupação.
''Ele está escondendo algo, não está?''
''Isso é óbvio. Por precaução, vamos evitar que ele saia da cidade. Não temos um mandado para mantê-lo aqui.''

Aquela conversa não contribuiu em nada. Toda a nossa suspeita gira em torno dele. Porém, não podemos tirar conclusões precipitadas. Ainda temos outra pessoa para conversar.



''Sara Style. Você é a melhor amiga de Bridget, não é?''
''Sim.''
'' Você já sabe que...''
''Ela está morta.'' - disse ela, enfraquecendo a voz - '' Por favor, descubram quem foi o animal que fez isso com ela!''

Vi uma lágrima cair de seus olhos. Em seguida, Sara abaixou a cabeça e respirou fundo.

''Sara, por favor, tente se acalmar. Podemos chegar ao assassino apenas se você contribuir. Acabamos de conversar com um dos amigos dela, Bryan, e...''
''Bryan? Amigo? Os dois eram namorados. Separaram faz menos de algumas semanas! Não consigo esquecer de Bridget chorando por ele.''

''Por que se separaram?''
''Bom, porque ele tinha uma certa desconfiança de que Bridget gostava de seu empresário. Isso era impossível!''

''Conhece alguém, além dele que teria coragem de fazer mal a Bridget?''
''Sim. É uma concorrente de Bridget, Lucy Willows. Ela é modelo fotográfica de uma agência. Ela mora no prédio da frente.''

Não consegui acreditar no que ouvi. A cada história, uma versão diferente.

''Você disse, prédio da frente?''
''Sim. É um prédio de apartamentos de luxo. Seu exterior é de cor bege, se não me engano.''

''Sara, você contribuiu bastante para nosso caso. Lhe daremos notícias sobre o caso assim que ele for encerrado. Obrigada.''

Sara fez um gesto com a cabeça e saiu. Me virei e sorri para Tyler, que certamente imaginava o mesmo que eu. Temos dois suspeitos em potencial: Bryan e Lucy.

Meu celular tocou. Era Sidney.
''Conclui as autópsias. Há detalhes que vocês precisam ver!''
''Obrigada, Sidney, estamos indo.''


''Que bom que vieram. Como podem ver, troquei a roupa da vítima e enviei para um diagnostico mais detalhado. A vítima foi morta com um tiro de rifle. A profundidade do buraco feito pela bala indica que o atirador estava bem distante da vítima.''
'' Encontramos uma das janelas quebradas. O buraco é proporcional ao de um tiro.''
''Então esses resultados não vão fazer muita diferença. Mas há uma coisa que vocês precisam ver:  Em um de seus dedos, há uma marca avermelhada. Claramente, foi feito por um anel. E ele foi tirado em algum tempo antes da morte. Ela tinha algum namorado?''
''Bryan...''

''Enquanto a Joseph, me acompanhem...'' - disse ela, andando.


''Há um corte profundo em seu pescoço. Foi a causa da morte. Suas roupas estavam molhadas. Vocês me disseram que a vítima estava em uma banheira. Eu diria que essa banheira estava cheia, e foi usada para lavar e apagar qualquer evidencia da vítima. Isso vai dificultar muito o caso.''
''Já temos dois suspeitos.''
''Que interessante. Eu sugiro que façam mais algumas buscas fora da autópsia.''
''Pode determinar a hora da morte?''
''Bom, ele morreu próximo ao horário da morte de Bridget, porém não sabemos se foi antes ou depois.''
''Há sinais de luta?''
''Não, não há nada além do corte. A vítima foi golpeada enquanto estava de costas.''
''Tem alguma sugestão de quem possa ser responsável pela sua morte?''

''Bem, podemos criar várias hipóteses envolvendo todos os nossos suspeitos: Bryan, pelo que vi, é um pouco ciumento em relação aos seus relacionamentos, e poderia matar o empresário, desconfiando-se da infidelidade entre os dois. Lucy poderia matar seu empresário para gerar problemas à carreira de Bridget. Porém, pelo que vimos, não há sinal de invasão na porta principal.''

''Bom, a Bridget poderia te-lo assassinado, marcando alguma reunião casual e o golpeado por trás. Porém, ela também está morta e não há nenhuma evidencia que diga quem morreu primeiro.''

''Eu posso continuar investigando mais a fundo. Mas, pode ser inútil, e eu sugiro pular esta etapa.''

''Vamos falar com Lucy!''


''Esta é a agência em que Lucy trabalha. Pelo que sei, haverá um ensaio fotográfico ainda hoje.''

''Que interessante! Pinturas a óleo.''
'' Você adora arte, não?''
'' Sim. Principalmente esta, pois retrata nossa maior suspeita!''


''Bem, lá está ela. Lucy Willows''
''Posso ajudar?''
'' Somos da polícia de Nova York, e estamos investigando um assassinato.''
'' Podem ser breves por favor? Estou em um ensaio muito importante e...''
'' Bridget Moore. Este nome é familiar?''
'' Bem, eu...''
'' Está sem palavras. Bridget foi encontrada morta em seu apartamento com um tiro de rifle. E tudo indica que o tiro veio da cobertura do seu apartamento.''

''Desculpem, mas eu não posso ajudar. Não posso também dizer que estou triste pela morte de Bridget, pois ela merecia. Mas eu não a matei, e também não estou dormindo em meu apartamento. Há cinco dias em que estou com uma amiga, e não me aproximei do meu prédio.''

''Tem alguém que possa confirmar?''
''Sim, minha miga está no andar de cima, sendo fotografada, e... A síndica do prédio em que minha amiga mora. Nós conversamos ontem a noite, e ela sabe que eu estou lá.''

''Alexia, confirme se o álibi dela é verdadeiro. A história dela não está convencendo.''

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'' Entrei em contato com o prédio da amiga de Lucy. Parece que ela está dizendo a verdade.''
'' Lucy, por favor, poderia explicar o motivo em que você saiu de seu apartamento?''
''Sim. A agência providenciou um desfile com uma grife de roupas, e minhas amigas e eu fomos selecionadas para participar. Estamos comemorando praticamente todas as noites. Além disso, eu ando recebendo algumas ameaças por e-mail.''
''Que tipo de ameaça.''

''Olha, isso é um pouco pessoal. Mas... Prudentemente, eu vou contar a vocês, mas espero que não tornem isso algo público. O namorado de Bridget, ou melhor, ex-namorado de Bridget, é muito criterioso em relação a fidelidade dela. Ele era extremamente ciumento e afirmava haver um caso entre Bridget e seu empresário. Através desse e-mail, descobri uma forma de separá-los definitivamente. Desde então, o mesmo remetente anônimo ameaça contar a todos o verdadeiro motivo da separação. E, para manter o seu silêncio, eu precisava abandonar minha carreira. Eu neguei. E então eu recebi outro recado, dessa vez mais 'realista'. Escreveram algo na minha parede, com sangue, dizendo: Meu silencio em troca do seu. A partir daí, eu me envolvi em muitas coisas ilegais como porte de armas sem autorização.''

''Que arma você comprou?''
'' Uma pistola, e... Um rifle.''

''Isso é o suficiente para um mandado. Vamos revistar todo o seu apartamento, Lucy.''

''Antes de irem, quero dizer que o meu rifle foi roubado. Há dois, ou três dias, eu pedi para que o Bryan, que se tornou meu namorado, para entrar no meu apartamento e se livrar daquela pistola, antes que ela seja roubada também.''
'' Bryan tem a chave do seu apartamento?''
''Sim, ele tem.''
'' Obrigado pela sua colaboração. Qualquer problema, por favor, não deixe de nos avisar.''
''Obrigada. Vou continuar no apartamento de minha amiga.''


'' Tyler, vamos ter que voltar a cena do crime primária.''
''Não temos muito tempo. Reúna a equipe, vamos investigar simultaneamente os apartamentos de Lucy e Bridget!''

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''Antes de partirmos para as cenas do crime, quero que conheça outro membro de nossa equipe, Jonathan Brad. Ele é ótimo com computadores, e também com análises físicas e químicas.''
'' Boa tarde, Alexia. Para o caso de vocês, tenho uma excelente surpresa. Consegui simular o tiro do rifle. Com a roupa de nossa segunda vítima, consegui determinar a hora da morte. O empresário de Bridget, morreu um tempo depois dela.''
''Eu disse que ele era ótimo.''
''Obrigado, me sinto tão lisonjeado vindo de você!''
''E é também muito descontraído.''

''Bom, já está na hora de chamar a Sidney e irmos todos para as cenas do crime. Pelo que sabemos, o nosso suspeito pode modificá-las quando quiser.''
''Ele tem a chave?''
''Sim. Se não me engano de ambos os apartamentos.''
''Então vamos logo!'' - disse Jonathan encerrando a conversa com sua fala enérgica e eufórica.



'' Há semanas que não vou à uma cena do crime.''
'' Semanas? Os casos ocorrem com tanta frequência assim?''
''Sim, temos.''
'' Você pode ir investigar cenas do crime?''
''Claro. Apesar de ter formada em medicina legista, fui treinada para investigação de cenas do crime e outros.''


'' Chegamos. O apartamento de Bridget é esse aqui em frente.''
'' E aquela porta ao lado. Pelo que sei não há espaço suficiente para ser um apartamento.''
'' Deve ser alguma área de serviço ao algo parecido.''
'' Pode ser a rota de fuga do assassino.''
''Você é boa nisso! Como não pensei nessas hipóteses antes?''
'' Vá até a recepção e pergunte à respeito dessa sala. Eu fico com o apartamento.''
'' Sidney, é perigoso ir à uma cena do crime sem estar acompanhada. O nosso assassino ainda não está sobre custódia.''
''Eu vou ficar bem. Assim que souber a respeito dessa sala, ligue a Tyler, pode facilitar a busca deles no prédio da frente.''

''OK. Tenha cuidado.''


'' Que estranho. Há um sistema de alarme aqui. Me admira muito estar desativado.''

''Chega de investigações, Dra. Sidney Jackson.''
'' Quem é você? Apareça!''
'' Logo você vai saber. Porém já será tarde demais.''
'' Oh não, por favor!''

A partir disso, apenas o silencio marcava novamente o apartamento. A voz do sequestrador estava distorcida, mantendo o mistério de sua identidade, a identidade do assassino. Talvez, seja realmente tarde demais para se arrepender de entrar sozinha naquele hostil e sombrio ambiente. Só o tempo poderá dizer o que será feito de Sidney. Sua última alternativa é ceder ao sequestrador e aguardar que sua equipe salve-a.
O tom de mistério permanece no ar...


No apartamento de Lucy, Tyler e Jonathan caminhavam lentamente em busca de pistas.
" Fico indignado com isso."
" O quê?"
" Essas modelos apenas tiram fotos e vivem num palácio. Nós salvamos vidas e mal podemos pagar um apartamento."
" Pare de reclamar e procure. Vou para o quarto e banheiro. Você olha na sala de jantar e cozinha. " - indagou Tyler.


A casa estava organizada, sem qualquer bagunça, e a mesa parecia um pouco empoeirada. Parece que Lucy havia dito a verdade em relação à não dormir em seu apartamento nos últimos dias.
A sala de jantar era discreta, nada exagerado. Uma mesa de jantar de madeira com uma planta no centro e 8 cadeiras. Em uma das paredes havia um quadro enorme, que retratava uma ponte. O mesmo estava mal equilibrado.

Jonathan tirou-o da parede e encontrou um cofre e a senha. dentro dele havia um rifle. O mesmo usado para matar Bridget.


Tyler estava no quarto de Lucy, analisando as gavetas, lençóis, qualquer coisa que indicasse algo.
Das pistas encontradas, estavam o e-mail de Lucy, de um remetente anônimo e a parede que foi limpa, mas ainda dava para ver algumas marcas vermelhas. A história era autêntica.
Pela janela, Tyler pôde ver claramente o apartamento de Bridget.

Jonathan gritou da cozinha.

" Encontrei a arma do crime num cofre. A cozinha está cheia de alimentos que passaram da data de validade. Realmente Lucy não dorme aqui por pelo menos uma semana. "
" Encontrei o e-mail e a parede pintada. Ela não mentiu. "
" Tem mais uma coisa que precisa ver, Tyler. Venha comigo." 


A sacada da cobertura proporcionava uma vista maravilhosa e ampla. Ampla o suficiente para acertar perfeitamente Bridget em seu apartamento.

" Não creio que Lucy tenha feito isso. "
" Por quê? "
" Lucy é uma mulher inteligente. Ela não seria ingênua a ponto de atirar com seu rifle da própria sacada do prédio e guardar a arma num cofre com a senha escrita na porta. "
" Tem razão, mas ainda pode ser que... " - Tyler é interrompido pelo toque de seu celular - " Alexia está me ligando. Espere um minuto. "



Tyler atende o telefone. Ficou pálido e trêmulo durante a ligação, e assim que desligou o telefone, pegou Jonathan pelo ombro e arrastou-o pelo apartamento até o térreo.


" Como assim? Ela não pode ter sumido do nada " - grita Jonathan
" Não sei. Ela insistiu em entrar no apartamento sozinha enquanto eu buscava informações em uma sala no fim do corredor. Por fim, eu não consegui entrar, então fui até a recepção e não encontrei ninguém. Então eu subi e não a vi lá dentro. " - tentei explicar.
" Vamos atrás dela. Ela levou o celular! Rastrearemos o sinal. Ficaremos a noite toda se preciso. " - Tyler tentava acalmar Jonathan, que estava desesperado.
" OK, vamos! "


Ao chegarem novamente no laboratório, subiram pelo elevador e entraram na sala de computadores. Ligaram todos os 12 computadores e deixaram em busca automática, enquanto operavam manualmente em outros 3.

Ficaram a noite toda rastreando os sinais de celulares, de todas as maneiras possíveis, até que às 6h da manhã Alexia grita avisando que havia encontrado.

" O chip finalmente mandou algum sinal. Ela está na rua... Espere! Ela ainda está no prédio de apartamentos onde a Bridget mora!"
" Mas como?! "

" Acho que sei como. A sala que eu fui investigar enquanto ela entrou no apartamento. Acho que é lá onde nosso assassino se esconde... Ou talvez seja uma rota de fuga. "



Desceram o elevador e entraram no estacionamento. Alexia foi sozinha em seu carro, enquanto Jonathan e Tyler foram juntos em outro.

Ao chegarem, correram até a recepção, exigindo a chave da sala.


" O que exatamente é aquela sala?"
" Era uma antiga sala de serviços. Os empregados guardavam seus instrumentos de trabalho, como ferramentas e produtos de limpeza. Era também lá onde tinham seu horário de almoço e café da tarde. A sala foi fechada há uns 2 anos quando o apartamento deixou de prestar serviço de manutenção. Agora, a sala dos empregados fica em outro cômodo. "
" E a antiga sala está abandonada? "
" Sim. "
" Obrigada senhor. Foi de muita utilidade. "



" Tyler, é aqui! "


" Não tem nada aqui. São apenas caixas. "


" Alexia... Tem um elevador no fundo da sala. "

Sem hesitar, Tyler foi na frente, abrindo a porta do elevador. Alexia, logo atrás, também entrou. Os dois desceram durante alguns segundos. Quando a porta se abriu, ambos se espantaram.


Dentro da sala escura, iluminada apenas por uma lâmpada barata, haviam duas camas, uma mesa de madeira e computadores.
Na cama da direita, estava deitada Sidney.

" O que aconteceu? " - Tyler tentou perguntar a Sidney, que se despertou com o barulho das portas.
" Aquela vadia! " - resmungou Sidney.
" Você viu quem era? "
" Não. Era uma mulher. Reconheci pela voz. "


Alexia sentou-se na cadeira e ligou o computador. Não foi exigida a senha.

" Ela tem acesso ao sistema dos prédios. Podia desativar as câmeras a qualquer momento. "

Se levantou da cadeira e começou a caminhar pela sala.


Atrás dela, haviam dezenas de quadros. A maioria era de Bridget, outros de Lucy.

" Tyler, venha dar uma olhada nisso."

" Você notou que essas fotos foram tiradas no mesmo dia em que ela foi morta? Dá pra ver pelo penteado e pela roupa. "





Nas imagens, Bridget fazia poses e floreios para a câmera. Julgando pelas expressões, ela estava feliz e sabia que estava sendo fotografada. Isso eliminava seu ex-namorado da lista de suspeitos.

" Vamos levar todos os quadros para o laboratório.''



ASSIM QUE CHEGARAM AO LABORATÓRIO, Alexia começou a questionar todas as pistas junto aos outros detetives.



" Não faz sentido. Nosso assassino tinha acesso a casa de Bridget. Pelas fotos, podíamos julgar que eles pareciam bem íntimos. O assassino na verdade é uma assassina. Mulher! Uma mulher. Isso elimina o ex-namorado definitivamente. Não podemos esquecer que o empresário também foi morto. Alguém precisava ter motivos para matar os dois. "

" Eu tenho uma hipótese. Sidney disse que Bridget morreu primeiro. Talvez a assassina tenha entrado para se livrar do corpo de Bridget e encontrou o empresário no apartamento... "

" Tem razão. O assassinato do empresário parece ter sido bem improvisado. "

" Isso nos leva a crer que a assassina seja Lucy. ''

'' Ainda não temos algo que ligue-a concretamente ao caso, Alexia. "

" Vamos chamá-la aqui. Podemos ter uma conversa simples e tentar descobrir onde os fatos se embaralham. "

" Mande chamá-la, Jonathan. "


Lucy chegou as pressas no laboratório. Ela e Alexia sentaram-se na poltrona de couro preto e começaram a conversar.

" Ainda estamos investigando o caso de Bridget, Lucy, e cremos que você pode ajudar, "

" Ainda cham que a matei? "

" Lucy, sejamos sinceras. Vocês duas não eram amigas, mas sim concorrentes. Sua carreira era paralela a dela. Ao que parece vocês viviam em competição. "

" Sra. Adam... "

" Por favor, me chame de Alexia... "

" Alexia, minha carreira requer um grande nível de discrição. Temos uma vida social bastante observada. A mídia observa cada passo de pessoas como eu, e qualquer erro pode ser imperdoável. Lembra-se da Sara? Ela perdeu a carreira de modelo por um boato espalhado. "

" Entendo, Lucy, mas... " - Alexia é interrompida pelo telefone tocando em seu bolso. - " Desculpe. O detetive Tyler está me ligando. Preciso atender. "


Alexia atendeu o celular.

" Tyler, estou no meio de um interrogatório! ''

" Dê uma olhada na roupa dela. Observe atentamente. "

Alexia se vira e analisa a  garota dos pés à cabeça.

" O que há de errado? "

" A roupa é idêntica a que ela estava usando nas fotografias que encontramos hoje de manhã. ''

Desligou o telefone e se virou, depressa.

" Lucy, com quem esteve hoje mais cedo? "

" Com a Sara. "

Lucy parecia não entender nada. Alexia deu um longo suspiro, fez um sinal e pediu para que a acompanhasse.

Andaram por um corredor estreito do laboratório. Alexia abriu uma das portas cinzas, reverenciando para que Lucy entrasse na sala.


" Mas o que é...? "

" Essas fotos foram encontradas hoje de manhã no subsolo de um prédio junto a uma de nossas detetives que foi sequestrada ontem durante a investigação. Tudo leva a crer que a sequestradora e a assassina de Bridget são a mesma pessoa. "

" Sara... Ela foi me ver hoje de manhã. Disse que tinha uma viagem importante às 7h45, para retomar a carreira de modelo publicitária. "

" Fotos parecidas foram tiradas no apartamento de Lucy no mesmo dia em que ela foi morta. "

Lucy sentou-se no chão com as mãos na cabeça, desesperada.

" Agora tudo faz sentido. Os e-mails com ameaças vinham dela! "

'' Lucy, por favor, acalme-se. Precisamos que você desmarque todos os seus compromissos e fique conosco até Sara ser localizada. Você pode ser a próxima vítima dela. "

" Eu não posso. Tenho um desfile muito importante hoje a noite. Esperei o ano todo por ele. "


Alexia tirou o telefone do bolso e ligou para Tyler. Suas palavras foram curtas e intimativas. 

" Tyler, reúna a equipe de segurança no laboratório em 30 minutos. "



Dentro de uma hora, Tyler e Alexia estavam no centro de eventos onde ocorreria o desfile fechado.



Tyler estava no andar superior, apoiado em uma das grades de segurança. No andar inferior, estavam a passarela e o tapete vermelho, acompanhado de luzes fortes.

" Posso vê-la perfeitamente daqui de cima. '' - grita para Alexia.

" Acha que poderiam atirar nela estando aí? "

" Com uma boa pontaria, sim. "

" OK. Precisamos da equipe de segurança espalhada pelo local. Coloque no mínimo 4 guardas em cada ponta. Vamos ficar aqui também. "




19:30 - CENTRO DE EVENTOS (NY)




O desfile havia começado. O evento era fechado, e apenas pessoas convidadas poderiam entrar. Haveria ali a gravação de um desfile para promover uma marca de roupas famosa.
Lucy desfilava talentosamente pela passarela. Seu sorriso demonstrava algo além da elegância de uma modelo. Ela definitivamente gostava da passarela e dos holofotes.



Durante a exibição da peça final do vestuário, Sara surge do outro lado da grade no andar superior, carregando uma pistola com silenciador.
Tyler dá um sinal e os seguranças surgem, prendendo Sara e levando-a para a delegacia para finalmente ser interrogada.




Presa em uma sala de vidro, com um vestido branco extravagante, Sara se encontrava sentada, olhando atentamente o rosto dos detetives que assistiam-a gloriosamente.

" Não preciso ser tratada como uma louca. Tirem-me logo daqui! " - dizia Sara, olhando fixamente para frente.

" Não gostaria que ficássemos em uma mesma sala que você, gostaria? '' - retrucou Alexia.

" Poderia começar a contar o motivo do assassinato de Bridget? "

" Ela destruiu minha carreira! Eu tinha tudo que queria: fama, sucesso, dinheiro, o emprego dos sonhos... Mas ela arrancou de mim. "

" Como? "

" Eramos amigas. Ela era apenas uma iniciante na carreira quando nos conhecemos. E então, confiei um segredo importante a ela. Como era de se esperar, ela contou. O boato de espalhou, e logo eu estava difamada pela cidade. Perdi meu contrato com a empresa e não fui contratada por mais ninguém. "

" E enquanto ao empresário dela? Ele também foi encontrado morto. Sabe alguma coisa a respeito? "

" Eu o matei... "

" Conte-nos como foi. "

" Graças ao ex-namorado de Bridget e o atual de Lucy, tive acesso a chave do apartamento das duas. Quando me decidi que Bridget tinha que morrer, entrei no apartamento de Lucy, roubei uma arma de colecionador do pai dela e atirei da sacada do prédio, atingindo Bridget. Quando fui tentar tirar o corpo do prédio e escondê-lo na antiga sala dos empregados, encontrei o empresário lá dentro. Eu estava usando uma máscara para não ser reconhecida pelos funcionários do prédio. " 

" Continue... " - interviu Tyler, ao notar que Sara havia hesitado.

" Então não interrompa! Quando entrei, o empresário me atacou, arrancou a máscara e me reconheceu. Começamos uma discussão e eu me desesperei. Foi aí que eu peguei uma faca na cozinha de Bridget e cortei o pescoço. Após isso, limpei a maioria das evidências e escondi as armas de forma que incriminassem Lucy. "

Cada detetive se levantou de sua cadeira e saiu pela porta. Dois policiais entraram e algemaram Sara, levando-a até a prisão. O caso finalmente estava encerrado.

4 HORAS DEPOIS...


Era um maravilhoso fim de tarde. Tyler e Alexia caminhavam pelo parque próximo ao laboratório.

" Resolvi meu primeiro caso. Estou me sentindo tão realizada. "

" É uma ótima sensação. Mas recomendo-lhe agora um bom banho e uma boa noite de sono."

" Obrigada pelo óbvio! "

" Eu vou pra casa agora. Nos vemos amanhã, Alexia. "

" Espere... " - Alexia suspirou - " Estou interessada em você " - deixou as palavras escaparem da boca. Enrubesceu, envergonhada.

'' Eu quero deixar as coisas bem claras, Alexia... Não me interesso por... mulheres! "

" Ah... Sim... Entendo... Me desculpe mesmo! "

" Tudo bem. Agora vá para casa descansar. Você ficou 3 dias sem dormir direito. "

" Então, nos vemos em breve. "


Alexia virou-se de costas e foi caminhando até o estacionamento. 
Sidney surgiu gritando pelo parque, tentando chamar sua atenção. 

" Pessoal! Temos um novo caso! " - gritava

Alexia virou-se e caminhou novamente até o parque. Sidney é sempre assim? - questionou-se.

" O chefe do departamento ligou. Vamos investigar um caso bastante incomum, fora do território de NY. ''

" Como assim? Isso é dever de outros detetives. "

" Sim, mas ele precisava dos melhores. Como disse, o caso é incomum. "



Os três detetives caminharam pelo parque até o estacionamento. Alexia se serviu de um café expresso bem forte e entrou no seu carro.


Mais um caso seria resolvido.